Hoje dei por mim a pensar (realmente) num sentimento que me costuma revolver muitas e várias (!) vezes por semana, por dia, por hora... Trata-se, nada mais, nada menos que de Saudade - palavra que só os portugueses encontram no seu dicionário mas que, independentemente da designação, em todo o lugar se conhece.
Não se vê, não se toca, não compra, não se vende, nem se troca. Sente-se e aumenta com a distância e com o tempo… Mesmo quem tem nervos e sentimentos de aço não lhe consegue escapar! J
Ter Saudade é sentir falta. Ter Saudade, é sentir muita falta… da Família, dos Amigos, das nossas coisas, dos espaços, de momentos passados aqui ou acolá, com esta ou aquela pessoa, em determinado momento… Saudade. Tentamos enganá-las através do telefone, da net, remexendo em fotografias, pequenos escritos, viajando em pensamento… Dizemos coisas bonitas, escrevemos outras tantas que, invejosas das falas meigas, se alinham para serem lidas por quem, do outro lado, sente o mesmo. Dedicamos momentos, demonstramos afectos, partilhamos vidas, mas tudo, “virtualmente”… Deixou de se abraçar, de se beijar, de se tocar, de se estar, de se fazer conversa com o olhar, de se amar verdadeiramente. Muitas vezes, não passam de ocas letras... nada correspondendo à realidade. Andamos abraçados às letras a pensar que são pessoas! Ah... O que se vive, em grande parte deste tempo virtual, nada mais é que efémero, apenas e só enquanto dura a ligação. Não há uma presença real na história do outro…

Dizem que estamos numa Aldeia Global (e é bem verdade! Não se pode estar cinco minutos incontactável...). Tenho Saudade da "Idade da Pedra", do tempo em que tudo era mais autêntico, mais sincero, mais natural, mais presente mas, ao mesmo tempo, a anos-luz de distância. Tenho muitas Saudades...